2012-01-16 - Produzindo energia a partir do sol, mesmo durante a noite.
De acordo com a NASA, a agência espacial norte-americana, a intensidade média da energia solar que atinge a atmosfera exterior da Terra, directamente em linha com o sol, é de cerca de 1.360 watts (W) por metro quadrado (m2). Como a maior parte dessa energia é reflectida ou absorvida pela atmosfera, apenas cerca de 48% atinge o solo, o que significa, na melhor das hipóteses, aproximadamente 648 W/m2 no equador, ao meio-dia.
Não parece muito, mas se fôssemos capazes de capturar apenas 0,3% da luz que cai sobre os desertos do Saara e Médio Oriente, aproveitaríamos energia suficiente para satisfazer as necessidades da Europa, Norte de África e Médio Oriente - uma visão que impulsiona o projecto Desertec Industrial Initiative, no norte de África.
A vantagem da energia solar está no facto de a radiação ser constante e não contribuir para as emissões de dióxido de carbono. No entanto, a forma esférica do planeta faz com que a maior parte dessa energia atinja a atmosfera num ângulo oblíquo, ou que fique oculta devido ao movimento de rotação, reduzindo mais ainda os níveis médios da energia que efectivamente chega ao solo.
A forma mais eficiente de utilizar a energia solar é convertê-la directamente em calor, utilizando um colector solar térmico. Os colectores solares térmicos de painel plano operam a temperaturas relativamente baixas e podem fornecer água quente, aquecimento, arrefecimento e ventilação, compensando desta forma uma parte da energia utilizada nos edifícios residenciais e comerciais em todo o planeta.
Para produzir electricidade, no entanto, podem ser utilizadas centrais fotovoltaicas que convertem a energia solar directamente em electricidade; ou, em alternativa, colectores
de energia solar térmica concentrada (CSP), que focam a energia do sol utilizando espelhos ou lentes para aumentar a temperatura de um fluido e produzir o vapor que acciona uma turbina.
Estas centrais CSP operam mais eficazmente no equador ou na sua proximidade, onde a energia solar é mais intensa, ajudando a reduzir a área terrestre utilizada por unidade de energia produzida, o que, consequentemente, diminui o impacte ambiental da própria central, bem como o seu custo
Espelhos parabólicos captam a energia do sol Fazendo parte da visão Desertec, a Andasol, a maior central de energia solar do mundo, que concentra a energia do sol através de uma área equivalente a 210 campos de futebol, está situada na Andaluzia, perto da Sierra Nevada, no sul da Espanha. Num planalto deserto e semi-árido, a uma altitude de 1.100 m, 600.000 espelhos parabólicos, instalados nesta central recentemente concluída, seguem o percurso do sol, recebendo 2.200 kWh / m² de energia solar por ano (aproximadamente 502 W / m²).
Os fluidos de transferência de calor, no ponto focal dos espelhos, atingem temperaturas suficientemente elevadas para produzir vapor. O vapor movimenta as turbinas de geradores eléctricos, fornecendo energia suficiente para satisfazer as necessidades de 200 mil lares espanhóis, evitando a emissão de 500 mil toneladas de CO
2 para a atmosfera, em cada ano.
Para manter níveis fiáveis de abastecimento, mesmo quando o sol se põe, a energia capturada em excesso é armazenada em depósitos de sal líquido, que absorve parte do calor produzido na central solar durante o dia. Este calor, armazenado como sal fundido, aquece a água para produzir o vapor que acciona as turbinas durante parte da noite, permitindo assim cerca de 7,5 horas adicionais de tempo de operação a plena carga, todos os dias e após o anoitecer.
Tecnologia Linear Fresnel CSP Toda a central é controlada por software ABB, e a electricidade produzida é introduzida na rede por meio de transformadores e subestações da ABB.
Os investimentos recentes feitos na Novatec Solar, um fornecedor líder de tecnologia Linear Fresnel CSP e na GreenVolts, que fornece sistemas chave-na-mão fotovoltaivos, tem fortalecido a presença da ABB no sector solar, nomeadamente junto das
utilities. Estas novas capacidades na área da energia solar permitiram à ABB entregar em Itália, com sucesso e apenas no espaço de nove meses (entre Dezembro de 2010 e Agosto de 2011), 14 centrais fotovoltaicas em regime chave-na-mão. Doze centrais foram concluídas antes do prazo previsto, e uma, de 24 MW, foi construída e posta em serviço no curto período de cinco meses.